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O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2006
Páginas: 192
Bruno é um garoto alemão perspicaz e inteligente de apenas nove anos, mora em Berlim com sua mãe, pai e sua irmã Gretel, a quem ele chama de "caso perdido". Em sua cidade natal, Bruno tinha tudo de que precisava para viver bem: uma casa grande, onde explorava e brincava alegremente, amigos e um conforto típico de uma família com boas condições financeiras.

A narrativa se inicia quando ele e a família precisam se mudar às pressas devido a uma proposta de emprego irrecusável que o pai recebe, trabalho este que Bruno desconhece, apesar de sempre ouvir as pessoas se referindo a ele como comandante. Seu novo lar, ao contrário da casa de Berlim, é pequeno, isolado e desconhecido. Solitário e entendiado, o garoto começa a explorar alguns lugares da casa e arredores, até que encontra uma janela pequena no alto da parede de seu quarto, cuja vista é um lugar estranho onde as pessoas, em sua maioria homens - desde crianças a idosos -, ficam de pijamas o dia todo. Curioso, ele faz diversas perguntas aos familiares e empregados sobre a cerca que separa a casa do enorme campo. No entanto, ninguém lhe dá grandes detalhes, tudo o que ele sabe é que não deve ir ao outro lado e aquelas pessoas também não podem atravessar a cerca, o que Bruno acha muito injusto, pois do outro lado há muitas crianças que poderiam ser seus amigos.

"[…] enquanto ele observava as centenas de pessoas na distância prosseguindo com os seus assuntos, e era o fato de que todos eles – os meninos pequenos, os meninos grandes, os pais, os avôs, os tios, as pessoas que vivem sozinhas nas ruas da vida e não parecem ter parentes – usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza e listrado com um boné cinza listrado na cabeça."

Como toda criança tomada pela curiosidade, Bruno resolve explorar mais o território, se aproximando muito da cerca e encontrando do outro lado Shmuel, um garoto cabisbaixo, faminto, sujo e cansado, que coincidentemente nasceu no mesmo dia que ele. Aos poucos eles desenvolvem uma grande amizade, mesmo com a cerca que os separa; Bruno presenteia o amigo com pão e alguns alimentos, quase todos os dias, enquanto se encontram às escondidas. 

Durante boa parte da narrativa o protagonista permanece com o desejo de ir até o campo de concentração, que inocentemente chama de "fazenda". A inocência da infância funciona como um pano de fundo para o desenrolar; Gretel, influenciada diretamente por pensamentos nazistas, começa a ter atitudes inadequadas para uma garota de sua idade, a mãe começa a discordar do trabalho do marido de chefiar o campo, e a mente de Bruno fica cada vez mais confusa e atraída para aquela realidade desconhecida.

"A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda."

Outros acontecimentos se desenrolam, tornando a narrativa ainda mais envolvente. As páginas foram passando simultaneamente, sem que eu notasse a história me prendeu do início ao fim, me impossibilitando de fazer qualquer coisa que não fosse descobrir que rumo a cumplicidade de duas crianças com realidades opostas tomaria. O autor soube dividir com êxito o foco da história, alternando entre o que acontece com os dois meninos e o que a Segunda Guerra Mundial desencadeou. O olhar crítico do autor uniu uma visão mais completa acerca da Guerra e da vida de pessoas que ficaram no meio do Holocausto com o que um coração puro e inocente pode fazer.

Apesar de o livro ser narrado em terceira pessoa, o ponto de vista de Bruno tem grande importância e impacto. Acredito que a amizade entre um judeu e um alemão de família nazista nunca mais poderá ser retratada com tanta veemência como foi feito por John Boyne, com sua narração sensível e tocante foi impossível não chorar em vários momentos. Mesmo que eu tenha lido o livro em apenas um dia, continuei fragilizada por muito tempo depois. O final é chocante, emocionante, arrasador e imprevisível. Não sei bem o que eu esperava, mas certamente não era isso, é uma trama completamente digna dos mais de 5 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, e também da adaptação cinematográfica que ganhou, em 2008. Sem dúvidas, um dos meus livros favoritos por toda a vida.